Acompanhamento longitudinal de pacientes com esclerose múltipla, por instrumentos validados, na cadência que o médico define.
O problema
O paciente sabe a data exata em que começou. O médico examina, quantifica a perda de acuidade, mede a força. Fica registrado.
O paciente piora aos poucos. O exame permanece igual. Não fica registrado em lugar nenhum.
Existe até um termo para isso na literatura. A ferramenta clínica para capturá-la, não.
O que o paciente diz
Antes eu varria a casa em 20 minutos. Hoje eu demoro o dia inteiro. Relato clínico de paciente com esclerose múltipla
Isso é a informação mais valiosa da consulta.
E é a única que não vira dado, não entra no prontuário, e não pode ser comparada com a consulta anterior.
Por que ninguém resolveu
Especialista, em centro de referência, com tempo de consulta e repertório para extrair a comparação do paciente com ele mesmo. Fora disso, a progressão silenciosa passa.
Fontes: Associação Médica Brasileira, 2025 · BCTRIMS, 2026.
A evidência já existe
| Achado | Resultado | Fonte |
|---|---|---|
| MSIS-29 físico prevê mortalidade em 10 anos maior contra menor quartil |
HR 5,7 | Raffel et al., PLOS Medicine 2017 · n=2.126 |
| Piora do escore em 1 ano prevê mortalidade | HR 2,3 | idem |
| Devolver PROM ao clínico aumenta detecção e registro | RR 1,73 | Cochrane 2021 · 116 ensaios, n=49.785 |
| Monitorar sintomas com alerta e ação humana | +5 meses | Basch et al., JAMA 2017 · sobrevida global |
O estudo de Raffel foi o primeiro a ligar desfecho relatado pelo paciente a sobrevida em qualquer doença neurológica. A trajetória carrega informação que o exame não captura.
O produto
Quais instrumentos, para quais pacientes, em qual cadência. Ou dispara na hora, antes de uma consulta específica.
Link no WhatsApp, sem app para instalar e sem senha para lembrar. Uma pergunta por tela, em blocos curtos, salvando a cada toque.
Escore por domínio, série temporal do paciente contra ele mesmo, e a variação confrontada com o limiar publicado na literatura.
O lado do paciente
Por isso: contraste AAA de 7:1, alvo de toque de 44 pixels, uma pergunta por tela, avanço com atraso de 300 ms contra tremor, blocos de no máximo dez itens, sem senha e sem campo de texto livre.
O lado do médico
Sistema de apoio à decisão que alerta demais é sistema que o médico desliga · a referência do setor registra 92,9% de override e apenas 7,3% de alertas apropriados. A meta aqui é disparar em no máximo 15% dos pacientes por ciclo.
O diferencial
A variação é confrontada com a diferença mínima clinicamente importante, com a citação bibliográfica visível na tela. MSIS-29 físico: 8 pontos, Costelloe 2007. MSWS-12: 8 pontos, Mehta 2015.
Nenhum limiar é inventado. A tela mostra a variação e declara que nenhum limiar foi aplicado. Limiar fabricado é passivo regulatório e queima a confiança do médico na primeira semana.
Rastreabilidade
Cada leitura abre a conta inteira: o instrumento e a versão, a soma bruta, a transformação, a origem do limiar com a referência, e quais itens mudaram e quanto.
A mesma tela satisfaz o requisito de explicabilidade da Resolução CFM 2.454/2026, o critério de revisão independente da orientação de apoio à decisão clínica do FDA, e a defensabilidade perante a ANVISA. Construída uma vez, resolve três.
Por que os outros falharam
Em todos eles o paciente respondia porque o app pediu.
Engajamento comportamental decai sempre. Ninguém quer ser lembrado todo dia de que está doente.
Aqui o paciente responde porque o médico dele pediu, e porque o dado volta para dentro da consulta.
Por que agora
| Exigência do PCDT de EM, 2024 | Frequência |
|---|---|
| Registro de EDSS e taxa de surtos | a cada 3 meses |
| Reavaliação médica e laudo de renovação | a cada 6 meses |
| Contato em terapia com natalizumabe | mensal |
Sem o laudo, o paciente perde o medicamento · que custa ao SUS cerca de US$ 13.500 por ano.
Não criamos trabalho novo. Automatizamos trabalho que já é obrigatório e hoje é feito na mão.
Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 8, de 12 de setembro de 2024.
Conformidade, por desenho
Regime de notificação. O escore é calculado por código determinístico e versionado · a camada de inteligência nunca calcula, apenas verbaliza.
Tutela da saúde como base legal. O médico é o controlador. A mensagem ao paciente não menciona doença, instrumento nem resultado.
Registro do uso de IA no prontuário, botão de discordância com log, e recusa do paciente respeitada. Nunca exibida ao paciente.
O mercado
O motor nasce genérico: instrumento é dado, não código. A doença de Parkinson tem 200 a 250 mil pacientes no Brasil, é atendida pelos mesmos neurologistas e usa escalas análogas. A segunda doença custa quase nada e multiplica o mercado por sete.
Modelo: assinatura por médico, com marca branca · o paciente vê a marca em que já confia, a do médico dele.
Fontes: AMB 2025 · SIA/SUS 2021 com projeção · IBGE PNAD Contínua TIC 2025 · BCTRIMS 2026.
Onde estamos
Existe um piloto com pacientes reais disponível, conduzido por neurologista de centro de referência.
E existe uma lacuna publicável: nenhum ensaio demonstrou que devolver PROM ao neurologista muda desfecho em esclerose múltipla. Ninguém é dono dessa pergunta ainda.
Para o neurologista que não é do centro de referência · que é a maioria, e que atende a maioria dos pacientes.